Coronavírus: por que a incidência e a letalidade são maiores entre idosos?

por Equipe Danone Nutricia 20 de março de 2020 5 minutes

O COVID-19 causa sintomas leves em 80% dos casos, mas entre grupos de risco, as consequências podem ser graves e fatais

Proteger os idosos é uma das principais preocupações durante a pandemia de COVID-19. O novo coronavírus pode infectar qualquer pessoa e está se espalhando rapidamente por todo o planeta. Mas os riscos não são os mesmos para todos: idosos e indivíduos com condições de saúde preexistentes são os principais afetados pela consequências graves da doença. 

Em muitos casos, esses grupos precisam de cuidados intensivos e a doença pode ser fatal. O primeiro relatório sobre o coronavírus, feito pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China, mostrou que dos 72.314 casos registrados até a data de publicação do estudo, foram registrados 1.023 óbitos – o que equivale a uma taxa de mortalidade de 2,3%.

A doença não provocou nenhuma morte entre crianças até nove anos e, entre as pessoas na faixa etária dos 10 aos 39 anos, a taxa de mortalidade foi de apenas 0,2%. Por outro lado, a partir dos 60 anos, a porcentagem de óbitos começa a aumentar.

Na faixa etária dos 60 a 69 anos, a taxa é de para 3,6%, subindo para 8% entre as pessoas de 70 a 79 anos. Para os idosos de 80 anos ou mais, a porcentagem é de 14,8%. 

World Economic Forum (WEF) também aponta que a taxa de mortalidade pelo coronavírus entre idosos acima dos 80 anos é de quase 15%. A organização considera que pessoas acima de 60 anos são as mais vulneráveis. Mas o que muda a partir dessa idade?

Razões físicas e sociais explicam o fato, como explicamos abaixo: 

idosos no grupo de risco

Os idosos têm sistema imunológico mais fragilizado do que as pessoas mais novas e, portanto, são mais vulneráveis a doenças infecciosas, como o coronavírus. 

Um estudo publicado na Revista Brasileira de Alergia e Imunopatologia explica que a deterioração do sistema imunológico entre os mais velhos é explicada por um fenômeno chamado imunossenescência. Ele consiste em um estado de função imunológica desregulada, o que contribui para o aumento da suscetibilidade a infecções e doenças autoimunes, além da redução da resposta a vacinas. 

O artigo também destaca que a capacidade de renovação das células do sistema imunológico diminui com a idade. O envelhecimento provoca, ainda, reduções do número de células fabricadas pela medula óssea que são responsáveis por proteger o organismo, como 

O resultado é um estado inflamatório crônico e descontrolado do organismo, o que prejudica a capacidade de responder de forma eficiente a uma infecção viral ou bacteriana. O estado inflamatório pode, ainda, gerar uma proliferação de bactérias no pulmão, provocando dificuldades respiratórias.

Soma-se a isso o fato de os idosos terem mais chances de apresentar doenças crônicas, como as cardíacas, renais ou diabetes, o que enfraquece a capacidade do corpo de combater infecções.

Por fim, devido ao estado de saúde mais fragilizado, pessoas mais velhas tendem a visitar clínicas e hospitais com frequência, onde podem haver pacientes infectados pelo COVID-19.

como cuidar dos mais velhos

Idosos precisam seguir as mesmas recomendações que os demais, como lavar as mãos com água e sabão com frequência, usar álcool gel 70% e evitar aglomerações. Os conselhos são os mesmos para todos, mas como os mais velhos são um grupo vulnerável, as atenções devem ser redobradas.

O World Economic Forum dá algumas dicas aos idosos:

  • Praticar o distanciamento social, evitando receber visitantes a menos que seja absolutamente necessário. Se precisar de ajudar com as compras do mês, por exemplo, é melhor contar com a ajuda de alguém saudável e de preferência sem filhos, pois pais de crianças podem ser portadores assintomáticos da doença.

  • Sair de casa quando for absolutamente necessário. Se necessário, pedir ajuda aos vizinhos para que reabasteçam a dispensa e comprem os medicamentos dos quais necessita. 

  • Se precisar sair, evitar aglomerações, não apertar as mãos ou abraçar outras pessoas. Manter uma distância de pelo menos um metro e meio de outros indivíduos e lavar as mãos quando voltar para casa.

Mas, se você não é idoso e quer protegê-los, evite contato próximo com eles sempre que possível. Afinal, mesmo sem sintomas, é possível ser portador da doença e transmiti-la para grupos de risco. 

Além disso, encontre meios de manter os mais velhos informados sobre as formas de prevenção e cheque regularmente se estão doentes. Se necessário, crie mecanismos para garantir que eles tenham acesso a tudo o que precisam, como frutas, legumes e medicamentos. Por fim, o idoso também precisa saber o que fazer quando apresentar algum sintoma. 

Informação e prevenção são as palavras-chaves para enfrentar a pandemia do coronavírus! 

 

Referências: 

World Economic Forum: An expert explains: how to help older people through the COVID-19 pandemic

China CDC Weekly: The Epidemiological Characteristics of an Outbreak of 2019 Novel Coronavirus Diseases (COVID-19) -- China, 2020

Rosana C. Agondi, Luiz V. Rizzo, Jorge Kalil et al. Imunossenescência. 0103-2259/12/35-05/169 Rev. bras. alerg. imunopatol. 2012. 

 

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