Saúde emocional e coronavírus: o desconforto que você está sentindo é luto

por Equipe Danone Nutricia 17 de abril de 2020 5 minutes

Entrevista com um especialista feita pela Harvard Business Review explica como dominar as cinco fases do luto pode nos ajudar a lidar com a pandemia do coronavírus

A pandemia de coronavírus é um problema de saúde pública que também traz consequências para a saúde emocional no mundo todo. Isolada, a população precisa lidar com situações como a interrupção das atividades cotidianas, o medo de parentes adoecerem, a preocupação face a uma crise econômica e até mesmo com o tédio.

Cada um encara a pandemia, o isolamento social e a quarentena à sua maneira. Mas, de acordo com um artigo publicado na Harvard Business Review, o estranho desconforto que todos estamos sentindo tem um nome: luto.

Em entrevista à publicação online da Universidade de Harvard, o especialista em luto David Kessler afirma que é importante reconhecer o luto, aprender a lidar com ele e, quem sabe, encontrar algum significado nisso tudo.

O luto antecipatório

Para o especialista, estamos sentindo uma série de dores e medos diferentes. O mundo mudou muito rápido e não sabemos direito o que esperar do futuro a curto prazo. Nossa rotina mudou e perdemos a sensação de normalidade. 

Quando não temos certeza sobre o que o futuro reserva, sentimos o luto antecipatório, que geralmente se concentra na morte. Ele ocorre quando alguém recebe um diagnóstico de doença grave, por exemplo, ou quando pensamos que vamos perder alguém importante. 

No caso do coronavírus, mesmo que nada de mal tenha acontecido diretamente com a gente, sentimos uma perda de segurança coletiva. Portanto, o sofrimento é tanto individual quanto coletivo.

os estágios do luto

Kessler também traça um paralelo com os estágios do luto para descrever sensações que podemos estar sentindo durante a pandemia. O primeiro é a negação: “o vírus não irá me afetar, ele só é real longe de mim, em outros países”. Depois, há a raiva: “o vírus está me fazendo ficar em casa, perder dinheiro, atrasar meus estudos”. 

Em seguida, há uma barganha: “ok, se eu me isolar por duas semanas, tudo voltará ao normal, certo?”. A barganha vem seguida pela tristeza: “não sei quando isso vai acabar, estou sem esperanças”. Por fim, chegamos à aceitação: “Ok, tudo isso está acontecendo e preciso descobrir como proceder”.

O poder está na aceitação, pois assumimos o controle e entendemos que agora precisamos lavar as mãos e seguir as outras recomendações oficiais da OMS, além de tomar outras medidas no dia a dia para se adaptar à nova situação.

como lidar com o luto

O especialista afirma que conhecer os estágios do luto é uma das formas de lidar com ele, mas reforça que nem todo mundo passa por eles e que nem sempre eles ocorrem necessariamente na ordem descrita.

Kessler também traça um paralelo entre luto antecipatório e ansiedade. Durante tempos difíceis como o que estamos vivendo, é normal imaginarmos o pior cenário possível, como a morte de um ente querido ou uma falência financeira. A estratégia, segundo o especialista, não é ignorar essas imagens ou tentar fazê-las desaparecer, mas encontrar um equilíbrio.

Portanto, se você sentir que os piores cenários estão tomando conta dos seus pensamentos, pense no melhor: estamos tomando os passos certos para diminuir o impacto do vírus. 

Além disso, é importante manter o foco no presente. Respirar e perceber que, no momento presente, nada do que você está antecipando aconteceu. 

Ter a noção de que não podemos controlar tudo ao nosso redor também ajuda. Você não tem controle sobre o seu amigo que continua saindo de casa como se nada estivesse acontecendo ou sobre as declarações das autoridades. Foque-se no que está em suas mãos, como a adoção de medidas preventivas, a prática de esportes dentro de casa e a realização de atividades produtivas.

Por fim, a pandemia do coronavírus é um bom momento para trabalhar a compaixão. Cada pessoa apresenta diferentes níveis de medo, tristeza e ansiedade, e tais sentimentos se manifestam de maneiras diferentes. Uns podem ficar irritados e outros carentes, por exemplo. Seja paciente e empático para ajudar o outro da melhor forma possível.

Referências:

Harvard Business Review. That Discomfort You’re Feeling if Grief.

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