Dieta enteral: o que é, como administrar e cuidados a tomar

por Equipe Danone Nutricia 15 de dezembro de 2020 5 minutes

A dieta enteral é uma alimentação líquida administrada por uma sonda em pacientes que não podem se alimentar normalmente pela boca

Diversas condições de saúde podem dificultar a alimentação regular pela boca, como um derrame que impossibilita a mastigação, ou o período de convalescência após uma cirurgia. A dieta enteral é utilizada nesses e em outros casos, garantindo que o paciente continue recebendo todos os nutrientes.

O que é e como funciona a dieta enteral

A dieta enteral é uma fórmula nutricionalmente completa, administrada ao paciente na forma líquida por meio de uma sonda. Este tubo fino, macio e flexível pode ser posicionado no nariz, na boca ou implantado por meio de procedimento cirúrgico no estômago, duodeno ou jejuno. Independentemente de onde o tubo é colocado, a dieta é administrada diretamente no trato gastrointestinal. 

No processo normal da digestão, o alimento é "quebrado" no estômago e no intestino, para assim, ser absorvido. Os nutrientes absorvidos vão para o sangue e são distribuídos por todo o corpo. A dieta enteral contém os mesmos nutrientes que os alimentos – como proteína, carboidrato, gordura, vitaminas e minerais –, mas nesse tipo de alimentação, os nutrientes já chegam “quebrados” para, então, serem transportados pelo sangue.

A composição da dieta enteral pode variar de acordo com as necessidades nutricionais de cada paciente e do quadro de saúde. Além disso, a primeira tentativa nem sempre funciona. Quando não há a boa adaptação à alimentação, o médico pode sugerir outra combinação de nutrientes.

quem utiliza a dieta enteral

A dieta enteral pode ser necessária quando você não consegue se alimentar pela boca, ou quando as suas necessidades nutricionais e calóricas não são atendidas pela alimentação oral regular. Isso pode ocorrer por vários motivos e em qualquer fase da vida. Veja os mais recorrentes:

  • Acidente vascular que prejudica a capacidade de mastigar e engolir;
  • Diversos tipos de câncer e tratamentos utilizados para enfrentar a doença, que podem causar sintomas como fadiga, náusea e vômitos;

  • Doenças graves ou lesões que reduzem a energia ou capacidade de comer;

  • Doenças graves que colocam o corpo em estado de estresse, dificultando a ingestão de nutrientes suficientes;

  • Distúrbios neurológicos ou de movimento que aumentam as necessidades calóricas e tornam a alimentação mais difícil;

  • Disfunções ou doenças do trato intestinal

Por que a dieta enteral é importante?

A alimentação enteral melhora o estado nutricional do paciente. Em muitos casos, pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Tal dieta é mais adequada para as necessidades fisiológicas do corpo quando comparada à nutrição parenteral, quando os nutrientes são administrados diretamente no sangue pela veia do paciente.

Veja quais são os principais benefícios da dieta enteral:

  • Como o estômago e o intestino são estimulados, como ocorre durante a alimentação convencional, a dieta enteral é mais adaptada à fisiologia do nosso organismo do que a parental;

  • Pode ser utilizada por pacientes de diferentes idades e com diferentes condições de saúde;

  • Melhora a resistência do paciente para se proteger contra bactérias que podem causar infecções. Isso está possivelmente relacionado com a interação da dieta com as células do intestino;

  • Custa mais barato do que a nutrição parental;

  • Pode ser usada com segurança e é prática;

  • Fornece um aporte nutricional adequado para as necessidades do paciente;[Text Wrapping Break]

  • Minimiza o risco de desnutrição e de problemas de saúde associados. Por consequência, aprimora o tratamento ao qual o paciente está submetido, evita a perda de peso e a fraqueza muscular.

quais são os tipos de DIETA ENTERAL?

Dieta enteral industrializada

A dieta enteral pode ser industrializada ou caseira. A industrializada pode ser encontrada em pó ou líquida, pronta para uso. No primeiro caso, é preciso diluir em água antes de administrar ao paciente. Entre as principais vantagens da dieta enteral industrializada estão a praticidade e o fato de o paciente poder receber os nutrientes necessários em quantidades adequadas, de acordo com a indicação do médico e/ou nutricionista. 

Alguns pacientes sob dieta enteral costumam ter necessidades nutricionais específicas, exigindo uma oferta qualificada de determinados nutrientes. Isso é possível pela oferta de dietas industrializadas com composições que variam, por exemplo, em potencial proteico. Ou que não incluem algum nutriente ao qual a pessoa é alérgica. 

Por fim, a dieta industrializada é muito segura em termos de higiene, desde que se siga à risca as recomendações do fabricante e do profissional de saúde na hora de prepará-la e administrá-la. Portanto, ao optar pela alimentação industrializada, leia o rótulo com bastante atenção.

Para escolher a dieta industrializada mais adequada, é preciso considerar a variabilidade da composição nutricional, a textura e o custo benefício. O profissional de saúde deverá recomendar o produto mais adequado. Mantenha-o informado sobre o sucesso ou dificuldades da alimentação.

Dieta enteral caseira

A dieta caseira, por sua vez, é feita com alimentos convencionais, como hortaliças, carnes, legumes e frutas. Eles são batidos no liquidificador e peneirados na tentativa de deixar a dieta mais líquida e sem grumos. Como não é possível garantir a composição dos ingredientes utilizados nesta dieta caseira, também não será possível garantir a presença dos nutrientes necessários ao paciente (vitaminas, minerais, proteínas, etc.). 

Além disso, a dieta caseira pode ficar muito viscosa, entupindo a sonda do paciente. Pode, ainda, aumentar o risco de contaminação, levando a maior risco de infecção e piora do quadro clínico. 

Costuma-se dizer que a dieta caseira custa mais barato do que a industrializada, já que você irá comprar os nutrientes e fazer o preparo em casa. Porém, é preciso seguir as quantidades e qualidades recomendadas pelo profissional de saúde, o que nem sempre sai tão barato assim. Além disso, é mais trabalhosa na hora de preparar. Portanto, é preciso colocar o custo benefício na balança para entender se compensa. 

como preparar A DIETA ENTERAL?

Uma série de equipamentos são utilizados no preparo e administração da dieta enteral. Além da sonda, você irá precisar do equipo, um tubo de material flexível que conecta o frasco com a dieta à sonda do paciente, e do suporte, necessário para manter o frasco de dieta suspenso acima da cabeça do paciente e facilitar o gotejamento da dieta.

Se você utiliza a dieta enteral em pó, é preciso dilui-la em água morna para que assuma consistência líquida. Já a dieta líquida é mais prática, pois basta administrá-la ao paciente. Preste bastante atenção à higiene.

Veja o passo a passo abaixo:

  • Lave bem as mãos com água e sabão antes de iniciar o preparo. Limpe também a bancada onde será feito o preparo;

  • Limpe o frasco de dieta e o abridor que serão usados com um pano umedecido em álcool a 70% (disponível em farmácias);

  • Abra o frasco da dieta enteral e transfira para o frasco plástico o volume prescrito por horário pelo nutricionista ou médico;

  • Conecte o frasco ao equipo. Lembre-se de fechar a pinça de rolete antes de fazer a conexão;

  • Coloque o frasco no suporte acima da cabeça do paciente. Abra a pinça de rolete do equipo, permitindo que a dieta preencha todo o equipo, retirando todo o ar. Feche novamente a pinça;

  • Conecte o equipo à sonda do paciente. Agora abra a pinça de rolete do equipo, deixando o gotejamento bem lento, de acordo com a prescrição do nutricionista ou médico;

  • O frasco com o restante da dieta deve ser colocado na geladeira devidamente tampado, para ser usado no próximo horário. O frasco pode ser tampado com filme plástico descartável;

  • Após o término da dieta, desconecte o equipo do frasco e o conecte no frasco plástico com água. A água é importante para hidratar o paciente;

  • O frasco plástico vazio de dieta e o equipo após o primeiro uso devem ser descartados imediatamente. Utilize novos frascos plásticos e equipos descartáveis a cada horário;

  • Nos intervalos entre as dietas, ou após qualquer medicação feita pela sonda deve-se administrar com pressão 20ml de água com a seringa na sonda do paciente. Se for uma gastrostomia, deve-se administrar 2 seringas de 20ml de água;

  • Em casos de dois (2) ou mais medicamentos a serem administrados no mesmo horário por sonda, triture, dilua em água e administre cada um separadamente. Nunca misture e administre medicamentos juntos ou com a nutrição enteral. 

Quais cuidados tomar ao administrar a dieta enteral?

A dieta enteral exige cuidados extras em relação à alimentação tradicional oral. Primeiro, é importante que a dieta esteja em temperatura ambiente, e que seja administrada lentamente para evitar qualquer problema, como diarreia, gases, náuseas e vômito. 

Se a sonda estiver no estômago do paciente, o volume de um horário deve correr em 1h. Se a sonda estiver no intestino, a velocidade deve ser mais lenta, ou seja, o volume de um horário deve correr em 1h30min.Os horários para administração da dieta são semelhantes aos horários das refeições normais (café da manhã, almoço, jantar, ceia e lanches) e podem ser ajustados à rotina da família, a não ser que o médico dê outra recomendação.

Para receber a dieta o paciente deve estar sentado, em uma posição confortável, formando um ângulo de 45° (no mínimo) em relação à cama. Ele deve ficar nesta posição durante o recebimento da dieta e por mais 30 minutos após o término dela. Esta posição é extremamente importante, pois impede que o paciente se engasgue com a dieta e que ela se dirija ao pulmão. 

Tome cuidado para não puxar a sonda acidentalmente. Se isso acontecer, ou se o tubo entupir, procure o médico para trocá-lo. Por fim, se o paciente apresentar náusea, tosse excessiva, dificuldade respiratória ou qualquer alteração, suspenda imediatamente a dieta e entre em contato com o médico para orientação. 

COMO PREPARAR A DIETA ENTERAL?

Para quem está acostumado a se alimentar pela boca, habituar-se à alimentação por sonda não é uma alteração agradável. Porém, tal dieta é fundamental para o sucesso do tratamento e recuperação, ajudando o paciente a recuperar as forças e a viver com mais saúde e disposição. Em alguns casos, combater a desnutrição é fundamental para evitar uma piora significativa do quadro, levando à morte.

No entanto, mudanças nos hábitos alimentares sempre podem causar alterações intestinais. Por exemplo, se antes a pessoa ia ao banheiro apenas uma vez ao dia, agora pode passar a frequentá-lo duas ou três vezes, o que é considerado perfeitamente normal. Conforme o corpo se adapta à alimentação enteral, o intestino pode funcionar cada vez melhor. No entanto, isso depende do quadro de saúde e necessidades alimentares. O nutricionista ou profissional de saúde responsável pelo acompanhamento irá indicar uma dieta com os nutrientes adequados, que pode ser mais ou menos ricas em fibras. 

Se o corpo não estiver se adaptando, é preciso procurar o médico para que sugira uma fórmula com outros nutrientes. Além disso, bons hábitos podem ajudar, como hidratação e prática de atividades físicas.

Referências: 

Izabelle Silva de Araujo e Helânia Virginia Dantas dos Santos. Guia multiprofissional de orientação para pacientes em uso de nutrição enteral domiciliar. Petrolina - PE. Hewab. 2017.

Healthline. Enteral feeding: How it works and when it’s used.

University of Stanford. Enteral Nutrition Therapy.

American Society for Parenteral and Enteral Nutrition. What is Enteral Nutrition

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