Música é terapia

Música é terapia: os impactos no cérebro

por Equipe Danone Nutricia 03 de dezembro de 2021 5 minutos

Ouvir música ajuda a lidar com o estresse e a regular o humor em tempos difíceis

Ouvir música é um dos prazeres da vida. Canções aguçam os nossos sentidos e memórias e despertam todo tipo de emoção. Para os amantes desta forma de arte, não faltam razões para aproveitá-la intensamente, pois segundo a ciência, a música tem o potencial de apoiar a nossa saúde global e de nos ajudar a lidar com o estresse.

Pesquisadores da Escola de Medicina John Hopkins, nos Estados Unidos, recomendam ouvir música com frequência para manter o cérebro funcionando em seu melhor potencial. Segundo pesquisas, a prática prazerosa pode reduzir a ansiedade, a pressão arterial e até a dor, assim como melhorar a qualidade do sono, o humor, o estado de alerta da mente e a memória.

Música e o cérebro

Os mecanismos pelos quais o cérebro entende e escuta a música ainda estão sendo investigados pelos cientistas. Quando colocamos nossa canção favorita para tocar em um aparelho, vibrações são emitidas pelo ar e entram em nosso canal auditivo. Então, essas vibrações fazem algo como cócegas no tímpano e são transmitidas em um sinal elétrico que viaja pelo nervo auditivo até o tronco cerebral, onde a música é percebida.

Segundo os pesquisadores da John Hopkins, o cérebro precisa fazer um belo exercício para compreender a música, que é pura matemática. Por isso, ouvir música estimula uma série de conexões entre os neurônios, estimulando a criatividade e a memória. Você provavelmente já percebeu que certas canções fazem lembrar de pessoas, locais ou épocas específicas da sua vida, certo?

Um estudo feito pela Universidade de Sussex, no Reino Unido, em parceria com uma série de universidades e centros médicos italianos, testou a memória de grupos participantes que estavam ou não ouvindo música clássica. Eles receberam uma série de listas de palavras a serem memorizadas. Os pesquisadores concluíram que aqueles que ouviram música clássica enquanto faziam o exercício de memória tiveram mais facilidade para se lembrar das palavras do que aqueles que trabalhavam em silêncio.

A música para lidar com o estresse

Se você já se sentiu mais relaxado após ouvir suas canções favoritas, não é por acaso. Ouvir música provoca a liberação de compostos neuroquímicos que desempenham papéis fundamentais no cérebro e na saúde mental, como:

  • Dopamina, uma substância química associada aos centros de prazer e recompensa do cérebro;
  • Serotonina, neurotransmissor que regula humor, sono e apetite, e outros hormônios relacionados à imunidade;
  • Cortisol e outros hormônios do estresse;
  • Oxitocina, substância que promove a capacidade de se conectar a outras pessoas;

Segundo a Sociedade Britânica de Psicologia, a música pode regular as emoções e o humor, ajudando as pessoas a processarem seus sentimentos. Também tem o potencial de ajudar a lidar com a ansiedade e a depressão. Artigo de revisão de 2017, por exemplo, concluiu que ouvir música, principalmente a clássica combinada com jazz, teve efeito positivo nos sintomas de depressão, especialmente ao longo de várias sessões de audição conduzidas por musicoterapeutas certificados.

 

Estilo musical importa?

Não existem provas de que ouvir música clássica seja melhor do que rock ou rap. Porém, estudos mostram que canções tristes, principalmente quando promovem o isolamento social, podem acabar piorando quadros de depressão.

Assim, se você anda deprimido, talvez queira evitar canções que te deixam de coração partido. Prefira as mais alegres e que te tragam algum alívio. E não se esqueça do potencial social da música. Por meio dela, é possível estabelecer conexões com pessoas que têm gostos similares e até compartilhar sessões de escuta e dança!

 

Referências:

Stewart J, Garrido S, Hense C, McFerran K. Music Use for Mood Regulation: Self-Awareness and Conscious Listening Choices in Young People With Tendencies to Depression. Front Psychol. 2019;10:1199. Published 2019 May 24. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6542982/

Leubner D, Hinterberger T. Reviewing the Effectiveness of Music Interventions in Treating Depression. Front Psychol. 2017;8:1109. Published 2017 Jul 7. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5500733/

The British Psychological Society. Why do we listen to music? A uses and gratifications analysis. Disponível em: https://bpspsychub.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1348/000712610X506831

Bottiroli S, Rosi A, Russo R, Vecchi T, Cavallini E. The cognitive effects of listening to background music on older adults: processing speed improves with upbeat music, while memory seems to benefit from both upbeat and downbeat music. Front Aging Neurosci. 2014;6:284. Published 2014 Oct 15. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4197792/Thoma

MV, La Marca R, Brönnimann R, Finkel L, Ehlert U, Nater UM. The effect of music on the human stress response. PLoS One. 2013;8(8):e70156. Published 2013 Aug 5. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3734071/

John Hopkins Medicine. Keep Your Brain Young with Music. Disponível em: https://www.hopkinsmedicine.org/health/wellness-and-prevention/keep-your-brain-young-with-music

American Psychological Association. Music as medicine. Disponível em: https://www.apa.org/monitor/2013/11/music

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