Automedicação

Automedicação: quais são os riscos de tomar remédio por conta própria?

por Equipe Danone Nutricia 23 de novembro de 2021 5 minutos

A automedicação pode colocar a saúde em risco, mascarar doenças mais graves e prejudicar o tratamento

O costume de tomar medicamentos sem o conhecimento do médico ou farmacêutico não é incomum. Afinal, a indicação de amigos, familiares ou uma pesquisa na internet pode oferecer todas as respostas. Mas será que a automedicação não é um risco?

Uma pesquisa do Conselho Federal de Farmácia, em parceria com o Instituto Datafolha, descobriu que 77% dos brasileiros têm o hábito de se automedicar. Quase metade dos entrevistados se automedica pelo menos uma vez por mês, e um quarto o faz todo dia ou pelo menos uma vez por semana. O estudo também indica que muitas pessoas usam remédios prescritos pelo médico, mas não de acordo com as recomendações, alterando a dose receitada.

A automedicação é cultural no Brasil, amplamente praticada, mas pode ser perigosa. Entenda:

 

Os riscos da automedicação

A automedicação é definida como a seleção e uso de medicamentos sem recomendação médica para tratar condições ou sintomas auto-reconhecidos ou auto-praticados. Veja riscos da prática:

  • Auto diagnóstico incorreto
  • Atrasos na busca de aconselhamento médico quando necessário
  • Reações adversas que podem ser graves
  • Reações alérgicas
  • Interações perigosas entre diferentes medicamentos
  • Uso da dosagem incorreta
  • Escolha incorreta do medicamento
  • Mascarar uma doença grave
  • Risco de dependência e abuso
  • Criar resistência a antibióticos

Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, os medicamentos são a principal causa de intoxicação no Brasil, quando não utilizados conforme recomendação médica. Estão, inclusive, à frente de produtos de limpeza, agrotóxicos e alimentos estragados. 

O Ministério da Saúde aponta que os principais medicamentos utilizados na automedicação são os anti-inflamatórios e os analgésicos, para alívio de dor e febre. Apesar de comuns, tais sintomas podem indicar uma série de problemas de saúde, inclusive dengue, zica e COVID-19, que podem ser mais sérios do que uma gripe.

Além disso, os analgésicos e anti-inflamatórios podem agravar problemas gástricos, prejudicar pacientes com problemas cardíacos e agravar a hipertensão, entre outras consequências. Os antitérmicos podem provocar reações alérgicas, enquanto os populares descongestionantes nasais, quando usados constantemente, podem causar taquicardia, elevação da pressão arterial e até rinite medicamentosa. 

 

Posso me automedicar?

Não. Apesar de parecer que isso pode propiciar um papel ativo em relação aos nossos cuidados de saúde, tomar qualquer medicamento sem o consentimento médico sempre traz riscos. Idealmente, seu médico de família deve recomendar o que fazer em casos de determinados sintomas que podem ocorrer com frequência, como no caso de pessoas que têm dores de cabeça com frequência. 

Em outros casos, é importante procurar o profissional de saúde ou, ao menos, o farmacêutico, que está apto a recomendar medicamentos para certos sintomas ou a indicar a visita a um médico. 

Idosos ou pessoas com doenças crônicas que tomam medicamentos com regularidade devem trabalhar junto ao médico para estabelecer uma rotina de medicação e determinar a melhor forma de segui-la sem erro. Quem toma diversos remédios precisa prestar atenção redobrada, pois a interação entre eles, quando feita da forma errada, pode ser perigosa.

Para isso, é preciso aprender o máximo sobre cada remédio, conservar as embalagens originais e bolar mecanismos para não se esquecer de fazer o uso na hora certa. Visite o profissional de saúde regularmente para que ele investigue se é preciso fazer qualquer ajuste no tratamento.

 

Referências: 

National Library of Medicine. Taking medicine at home - create a routine. Disponível em: 
https://medlineplus.gov/ency/patientinstructions/000613.htm

Conselho Regional de Farmácia. Pesquisa aponta que 77% dos brasileiros têm o hábito de se automedicar. Disponível em: http://www.crfsp.org.br/noticias/10535-pesquisa-aponta-que-77-dos-brasileiros-t%C3%AAm-o-h%C3%A1bito-de-se-automedicar.html

Ministério da Saúde. Uso racional de medicamentos: riscos da automedicação. Disponível em: 
http://blog.saude.mg.gov.br/2020/05/04/uso-racional-de-medicamentos-riscos-da-automedicacao/

Bennadi D. Self-medication: A current challenge. J Basic Clin Pharm. 2013;5(1):19-23. Disponível em: 
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4012703/

Hughes CM, McElnay JC, Fleming GF. Benefits and risks of self medication. Drug Saf. 2001;24(14):1027-37. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11735659/

Ruiz ME. Risks of self-medication practices. Curr Drug Saf. 2010 Oct;5(4):315-23. doi: 10.2174/157488610792245966. Disponível em:  https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20615179/

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