Depressão: entenda seus processos químicos no cérebro

por Equipe Danone Nutricia 09 de Novembro de 2020 5 minutes

Certos processos químicos no cérebro podem ser uma das causas da depressão, que é uma doença mental multifatorial

Pessoas deprimidas provavelmente já escutaram que deveriam se esforçar para vencer a tristeza, como se a depressão fosse uma escolha. Mas, segundo o Ministério da Saúde, a doença pode ser provocada por diversas causas, incluindo um desequilíbrio químico no cérebro. 

Existem diferentes ideias sobre as causas da depressão. Sabe-se que elas variam muito de pessoa para pessoa e que, em geral, uma combinação de fatores é responsável. A depressão pode surgir de uma hora para a outra, sem motivo aparente, ou ser a consequência de um gatilho, como divórcio ou morte de uma pessoa próxima

as principais causas da depressão

Segundo o Ministério da Saúde, as principais causas da depressão são:

  • Genética: estudos indicam a existência de um componente genético na depressão, responsável por cerca de 40% da suscetibilidade para desenvolver a doença;

  • Bioquímica cerebral: há evidências de que a deficiência de certos neurotransmissores está relacionada à depressão. Noradrenalina, serotonina e dopamina são algumas dessas substâncias, envolvidas na regulação da atividade motora, do apetite, do sono e do humor;

  • Eventos vitais: eventos estressantes podem desencadear episódios depressivos em pessoas que têm predisposição genética para desenvolver a doença;

 

O Ministério da Saúde também lista os principais fatores de risco para a depressão:

  • Histórico familiar de depressão;

  • Transtornos psiquiátricos;

  • Estresse e ansiedade crônicos;

  • Disfunções hormonais;

  • Dependência de álcool e drogas;

  • Traumas psicológicos;

  • Doenças cardiovasculares, endocrinológicas, e neurológicas;

  • Problemas pessoais, como divórcio e crise financeira

 

a complexidade do cérebro

O cérebro é um órgão complexo e muitas pesquisas ainda estão sendo feitas para entender o que acontece dentro dele quando alguém tem depressão. Sabe-se que substâncias químicas estão envolvidas nesse processo, mas não é uma simples questão de falta ou excesso de neurotransmissores. 

Existem bilhões de reações químicas que compõem o sistema dinâmico responsável pelo nosso humor, nossas percepções e forma de encarar a vida. Por isso, duas pessoas podem ter sintomas semelhantes de depressão, como humor depressivo, insônia e falta de apetite, mas as causas podem ser totalmente diferentes. 

Por outro lado, a diferença entre uma pessoa que não tem depressão e outra que sofre com a doença está relacionada à forma como o cérebro modula emoções negativas. Um dia chuvoso ou uma briga com o namorado, por exemplo, pode deixar a primeira desanimada. Ainda assim, ela provavelmente será capaz de ir trabalhar ou de ter uma conversa agradável com amigos. [Text Wrapping Break][Text Wrapping Break]Já a pessoa com depressão provavelmente terá mais dificuldades para modular essas emoções. Como a rede de neurônios do cérebro não está funcionando como deveria, o indivíduo não consegue desengajar o humor de aspectos negativos, sentindo-se triste, melancólico, apático e sem vontade de fazer as coisas, por exemplo.

tamanho DO CÉREBRO: outros impactos na depressão

Segundo a Universidade de Harvard, a depressão não está relacionada apenas ao comportamento e níveis de substâncias químicas, como os neurotransmissores, mas também às conexões das células nervosas e ao funcionamento dos circuitos em áreas do cérebro relacionadas ao humor.

Um estudo publicado por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington mostrou que o hipocampo, principal sede da memória, das emoções e comportamentos sociais, era menor em algumas pessoas com depressão. A pesquisa envolveu 24 mulheres que tinham histórico de depressão. Em média, o hipocampo era de 9% a 13% menor entre as pacientes deprimidas. Além disso, quanto mais crises de depressão a pessoa teve, menor o hipocampo. 

Os pesquisadores têm a hipótese de que o estresse desempenha um papel importante nesses casos, pois acreditam que ele pode suprimir a produção de novos neurônios no hipocampo, estando assim relacionado à depressão.

Também de acordo com a Universidade de Harvard, pesquisas estão sendo conduzidas para explorar as possíveis relações entre a produção lenta de novos neurônios no hipocampo e a depressão. O funcionamento dos antidepressivos no cérebro apoia essa teoria: esses medicamentos aumentam imediatamente a concentração de neurotransmissores, como a serotonina, no cérebro. No entanto, o paciente só começa a sentir seus efeitos depois de algum tempo de uso, como dias ou semanas. 

Especialistas se perguntam, então, por que as pessoas não se sentem imediatamente melhor assim que a quantidade de neurotransmissores no cérebro aumenta. Uma das possíveis explicações é que o humor só melhora à medida que os neurônios crescem e novas conexões são formadas, um processo que leva semanas. 

Estudos em animais mostraram que os antidepressivos estimulam o crescimento e a ramificação aprimorada das células nervosas no hipocampo. Portanto, a teoria sustenta que o valor real desses medicamentos pode estar na geração de novos neurônios, no fortalecimento das conexões das células nervosas e no aprimoramento da troca de informações entre os circuitos nervosos.

 

Referências:

Ministério da Saúde. Depressão: causas, sintomas, tratamentos, diagnóstico e prevenção

Harvard Health Publishing - Harvard Medical School. What causes depression? 

Washington University School Of Medicine. "Depression May Shrink Key Brain Structure." ScienceDaily. ScienceDaily, 16 June 1999. Disponível em: <www.sciencedaily.com/releases/1999/06/990616063411.htm>. 

Marije aan het Rot, Sanjay J. Mathew, Dennis S. Charney. Neurobiological mechanisms in major depressive disorder. CMAJ.JAMC. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2630359/

Philip Gorwood. Neurobiological mechanisms of anhedonia. Dialogues in Clinical Neuroscience. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3181880/

 

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