Diferenças de gênero na velhice: será que elas existem?

Diferenças de gênero na velhice: será que elas existem?

por Equipe Danone Nutricia 23 de setembro de 2021 5 minutes

As diferenças de gênero se perpetuam na velhice e têm impactos na saúde e bem-estar de homens e mulheres idosos

Nossa sociedade ainda está longe de atingir a igualdade de gênero e, na velhice, algumas diferenças específicas se manifestam. Enquanto mulheres podem sofrer com uma dupla discriminação, homens tendem a cuidar menos da saúde física e mental.

Um artigo científico publicado neste ano de 2021 por pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, em parceria com pesquisadores de Cingapura, concluiu que as sociedades ainda proporcionam mais vantagens aos homens durante a velhice.

O estudo foi feito em 18 países que fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), da qual o Brasil não faz parte. A maioria das nações integrantes da OCDE são desenvolvidas. Os pesquisadores descobriram que mesmo nesses países, homens têm mais chances de conseguir segurança financeira e um trabalho remunerado durante a velhice, assim como de passar um número menor de anos com a saúde debilitada.

Embora as mulheres tenham uma expectativa de vida três anos maior que os homens, sofrem com doenças por períodos mais longos e também estão mais sujeitas a sofrer com casos de Alzheimer e demência. Também têm menos reservas financeiras e estão mais sujeitas a viverem sozinhas no fim da vida. Tudo isso aponta para uma maior precariedade do envelhecimento feminino.

Menos oportunidades para mulheres

Os pesquisadores acreditam que o gap de gênero na velhice é uma consequência das dificuldades que mulheres enfrentam ao longo de toda a vida. Dados recentes do Instituto de Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que mulheres estão menos empregadas e ocupam menos cargos de liderança no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, são as principais responsáveis pelos cuidados com os filhos, muitas vezes de forma independente – isto é, são mães solo.

As mulheres também gastam mais tempo cuidando de afazeres domésticos, o que provoca maior cansaço e um impacto na renda. Além disso, estão sujeitas a salários menores. Em 2019, as mulheres receberam, em média, 77,7% do montante auferido pelos homens.

Como as mulheres têm menos oportunidades ao longo da vida e são as principais responsáveis pelos cuidados com a casa e com os filhos, estão em desvantagem no futuro no que diz respeito à segurança financeira. Estudos sobre igualdade de gênero mostram, ainda, que elas sofrem com o duplo preconceito quando chegam à velhice: tanto por serem idosas, quanto por serem mulheres.

Gênero e saúde mental

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o gênero é um determinante crítico da saúde mental. As mulheres são maioria em transtornos como depressão e ansiedade, enquanto os homens lideram em dependência de álcool, por exemplo.

Um estudo listou como os principais fatores de risco para depressão diferem entre homens e mulheres. Para elas, figuram na lista divórcio, ausência de apoio dos pais e da sociedade em geral, assim como a insatisfação com seus parceiros. Já para os homens, abuso de drogas, transtornos de conduta e eventos estressantes durante a vida, como falências ou problemas legais, estão entre os principais fatores.

Essas diferenças também podem ter impactos na velhice, especialmente porque as mulheres tendem a buscar ajuda com mais frequência e a cuidar melhor da saúde global. Esse é o outro lado da moeda: segundo a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, homens estão mais sujeitos a cometer suicídio e falecer de condições que podem ser prevenidas pela adoção de bons hábitos, como as doenças cardíacas.

Combater as diferenças de gênero na velhice é fundamental para homens e mulheres, para que possam desfrutar das últimas décadas de vida com plenitude, saúde e disposição.

Referências:

Chen C, Maung K, Rowe JW et al. Gender differences in countries' adaptation to societal ageing: an international cross-sectional comparison. Vol 2, Issue 8, E460-E469, Ago 2021.

Gómez-Costilla, P., García-Prieto, C. & Somarriba-Arechavala, N. Aging and Gender Health Gap: A Multilevel Analysis for 17 European Countries. Soc Indic Res (2021).

Agência Brasil. Estudo revela tamanho da desigualdade de gênero no mercado de trabalho.

Harvard Health Publishing - Harvard Medical School. Why men often die earlier than women.

World Health Organization [homepage na internet]. Gender and women’s mental health [acesso em 04 Dez 2018].

Kendler KS, Gardner CO. Sex Differences in the Pathways to Major Depression: A Study of Opposite-Sex Twin Pairs. Am J Psychiatri. 2015 Abr 1. 171(4): 426–435.