Sintomas psicológicos e comportamentais da demência

por Equipe Danone Nutricia 03 de fevereiro de 2021 5 minutes

A demência também pode provocar sintomas como mudanças bruscas de humor, irritação e depressão

Pessoas com demência frequentemente experimentam mudanças em suas respostas emocionais. Elas podem ter menos controle sobre seus sentimentos, mudanças bruscas de humor, irritação e respostas exageradas às coisas. Também podem parecer desinteressadas ou distantes. 

Parentes e amigos podem ter dificuldades para lidar com essas mudanças emocionais e comportamentais, mas é importante entender que fazem parte da doença. A própria pessoa com demência pode sofrer com tais sintomas e sentir medo dos momentos de irritação e tristeza, além de ficar chateada com o impacto da condição sobre as pessoas ao seu redor. 

Na ausência de tratamento adequado, tais sintomas podem ficar ainda mais intensos e evidentes. Por isso é importante enxergá-los como parte de uma doença que, apesar de não ter cura, pode ser atenuados. 

SCPD: o que são

Os Sintomas Psicológicos e Comportamentais da Demência (SPCD) constituem o principal componente da síndrome demencial. Tais sintomas são tão relevantes quanto os cognitivos, pois se correlacionam com o grau de comprometimento funcional e cognitivo do paciente.

Os Sintomas Psicológicos e Comportamentais da Demência incluem:

  • Agitação

  • Comportamento motor não usual

  • Depressão

  • Irritabilidade

  • Apatia

  • Inibição

  • Delírios

  • Alucinações

  • Alterações do sono

  • Alterações do apetite

    Segundo os pesquisadores, estima-se que tais sintomas afetem até 90% de todos os indivíduos com demência durante o curso de sua doença. Os SPCD estão associados a piores resultados no quadro da doença, como angústia entre pacientes e cuidadores, hospitalização de longo prazo, uso indevido de medicamentos e aumentos dos custos com cuidados de saúde.

A demência pode, ainda, fazer com que os pacientes de demência se sintam inseguros e percam a confiança em si mesmos e em suas habilidades. Podem sentir que não estão mais no controle e podem não confiar em seus próprios julgamentos. Por fim, podem sofrer os efeitos de estigmas sociais, não sendo tratados da mesma forma pelas pessoas ao seu redor. 

Tudo isso tem um impacto negativo na autoestima e piora a gravidade da doença, inclusive suas capacidades cognitivas, contribuindo para um declínio mais rápido do paciente.

causas do SCPD

Segundo artigo de revisão publicado em 2012 por pesquisadores do Serviço de Neurologia do Hospital Geral Universitário Gregorio Marañón, em Madrid, diversos fatores provocam os sintomas comportamentais e psicológicos da demência. Muitos deles são os mesmos que causam a doença em si.

O primeiro é biológico, uma combinação de fatores anatômicos, bioquímicos e genéticos. Pesquisas sugerem que a proteína ApoE, que o corpo usa para mover o colesterol no sangue, pode estar relacionada ao desenvolvimento de Alzheimer, por exemplo. Pessoas com hipertensão e colesterol alto têm maior chance de desenvolver a doença. Por outro lado, o consumo de nutrientes saudáveis, como ômega 3, colina, vitaminas e minerais, protegem o cérebro contra o declínio da saúde cognitiva e, portanto, ajudam a prevenir a demência.

Os próprios sintomas cognitivos da doença podem provocar alterações comportamentais e psicológicas. Uma pessoa que não se lembra onde colocou o telefone celular, por exemplo, pode interpretar que o aparelho foi roubado. Esses rompantes acabam prejudicando o humor e as emoções ao longo do tempo.

A pesquisa indica, ainda, fatores biológicos e sociais. A precariedade financeira pode causar sintomas psicológicos, como a depressão, assim como alimentação inadequada e cuidados insuficientes com a saúde. Por isso, as necessidadas básicas do idoso devem ser garantidas, assim como a sua qualidade de vida.

como tratar os SCPD

 

A primeira recomendação no tratamento desses sintomas é não farmacológico, promovendo mudanças no ambiente físico e na rotina para tentar reduzi-los. Para os parentes, amigos e cuidadores, há algumas recomendações em relação ao tratamento conferido a essas pessoas:

  • Oferecer elogios e incentivos, concentrando-se nos aspectos positivos e em suas conquistas[Text Wrapping Break]

  • Evitar críticas ásperas ou comentários depreciativos

  • Garantir que os pacientes tenham tempo para fazer atividades que gostam e que tenham propósito

  • Ajudar os pacientes a manter relações sociais existentes e a formar novas

Quando o quadro é grave, o médico pode recomendar o uso de medicamentos específicos para os sintomas, como antidepressivos. Além disso, é preciso tratar possíveis sintomas que aparecem como consequência desse quadro, como má higiene íntima e bucal e principalmente a má nutrição.

O idoso com demência necessita de acompanhamento nutricional para garantir que o aporte de nutrientes está sendo suficiente, já que muitas vezes não tem condições físicas e psicológicas de se alimentar adequadamente. O profissional de saúde pode recomendar o uso de suplemento nutricional para apoiar a alimentação. 

suplementos para manutenção da memória

Suplementos orais formulados com nutrientes voltados para a nutrição e manutenção da memória podem ser recomendados tanto para ajudar a prevenir a demência ou declínio extremo da doença. Colina, ômega 3, selênio, ácido fólico e vitaminas devem fazer parte de uma alimentação balanceada.

A colina, por exemplo, mantém a normalidade das funções neurológica e cognitiva e é precursora de um dos principais componentes das membranas celulares, os fosfolipídeos. O ômega 3 é um dos nutrientes que compõem as membranas cerebrais. Já o selênio é um mineral associado à melhora da cognição cerebral, pois protege o cérebro contra o estresse oxidativo e consequente danos neuronais. Vitaminas como C e E têm potencial antioxidante e protegem o cérebro do declínio da memória.

Não deixe o acompanhamento nutricional de lado e cuide dos sintomas da demência, sejam cognitivos, emocionais ou comportamentais. 

 

 

Referências:

Alzheimer’s Society. The psychological and emotional impact of dementia. Disponível em:

https://www.alzheimers.org.uk/get-support/help-dementia-care/understanding-supporting-person-dementia-psychological-emotional-impact#:~:text=People%20with%20dementia%20often%20experience,uninterested%20in%20things%20or%20distant.

Frederico Simões do Couto, Alexandre de Mendonça. Sintomas psiquiátricos e comportamentais de demência. Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. V. 26, n. 1. Disponível em:

https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/10713/0

Cerejeira J, Lagarto L, Mukaetova-Ladinska EB. Behavioral and psychological symptoms of dementia. Front Neurol. 2012;3:73. 2012. Disponível em:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3345875/

Javier Olazarán-Rodríguez, Luis F. Agüera-Ortiz, Rubén Muñiz-Schwochert. Síntomas psicológicos y conductuales de la demencia: prevención, diagnóstico y tratamiento. Rev Neurol 2012. Disponível em:

https://www.mariawolff.org/_pdf/olazaran.pdf

Caramelli, Paulo & Bottino, Cássio. (2007). Tratando os sintomas comportamentais e psicológicos da demência (SCPD). Jornal Brasileiro De Psiquiatria. Disponível em:

https://www.researchgate.net/publication/250051199_Tratando_os_sintomas_comportamentais_e_psicologicos_da_demencia_SCPD/citation/download

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