Criança

      Epilepsia farmacorresistente: quando o tratamento com remédios não funciona

      por Equipe Danone Nutricia 31 de agosto de 2020 5 minutes

      A epilepsia farmacorresistente pode ser tratada com dieta cetogênica em crianças

      Se o seu filho for diagnosticado com epilepsia farmacorresistente, significa que os medicamentos prescritos não estão controlando as convulsões. O diagnóstico pode assustar, mas outros métodos podem ser indicados para aliviar as condições e melhorar a qualidade de vida.

      A epilepsia é mais recorrente em crianças do que em adultos e é um dos distúrbios neurológicos mais recorrentes na infância, afetando cerca de 1% da população infantil. Além disso, sua frequência é maior entre bebês até um ano.

      O que é epilepsia?

      A epilepsia é uma condição neurológica que afeta o cérebro e o sistema nervoso. As crises epilépticas geradas pela doença ocorrem quando uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos ao órgão ou se espalhar pelo rosto do corpo. Por isso, algumas pessoas podem ter sintomas mais ou menos evidentes – o que não significa que o problema seja menos grave quando os episódios são pouco aparentes.

      Durante as chamadas "crises de ausência", a pessoa pode se sentir desligada por alguns instantes ou simplesmente ter sensações estranhas, como um desconforto no estômago. Mas durante as crises epilépticas mais graves, ela cai no chão e suas pernas e braços se enrijecem. Então começa a se debater até que a crise se encerre. Aos poucos, vai voltando ao seu estado normal. Na maioria das vezes, o cérebro volta ao seu funcionamento usual após a convulsão.

      O aparecimento de duas ou mais crises em um intervalo de um ano caracteriza a doença. A frequência das convulsões é geralmente controlada por meio de medicamentos. Mas, de acordo com a Associação Brasileira de Epilepsia (ABE), cerca de 30% dos casos é de difícil controle medicamentoso -- a chamada epilepsia farmacorresistente.

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      Como diagnosticar a epilepsia farmacorresistente

      O uso de medicamentos é o principal método empregado para tratamento da epilepsia. Infelizmente, nem sempre funciona. Apenas 50,5% das crianças que sofrem com a doença respondem bem ao tratamento com a primeira droga antiepiléptica utilizada. Se mesmo após a segunda tentativa de medicação, o tratamento se mostrar ineficaz, a doença é chamada de farmacorresistente, ou seja, resistente ao uso de remédios. Por volta de 30% dos doentes estão dentro desse espectro.

      Se o seu filho está sendo tratado com medicamentos, mas as convulsões continuam ocorrendo, é preciso consultar o médico o quanto antes. Ele poderá fazer as seguintes perguntas para diagnosticar a epilepsia farmacorresistente:

      ● Com qual frequência as convulsões ocorrem?

      ● O paciente pula doses do seu medicamento?

      ● Outras pessoas da família têm epilepsia?

      ● O paciente tem convulsões mesmo depois de tomar os medicamentos?

      O médico também pode solicitar alguns testes, como o eletroencefalograma, no qual pequenos discos de metal, chamados eletrodos, são posicionados no couro cabeludo para medir a atividade cerebral. Uma tomografia computadorizada ou ressonância magnética do seu cérebro também podem ser solicitadas.

      o tratamento da epilepsia farmacorresistente

      Para tratar a doença, o médico pode sugerir outros remédios ou novas combinações de medicamentos para aliviar as convulsões. Até a cirurgia pode ser indicada. Como a epilepsia é uma doença que traz impactos negativos em todos os aspectos da vida da criança, é necessário procurar tratamento alternativo quando medicamentos não são eficientes, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida. A dieta cetogênica é uma das formas consideradas eficientes para tratar a epilepsia farmacorresistente.

      Segundo a Associação Brasileira de Epilepsia (ABE), é imprescindível orientar o paciente quanto à possibilidade de tratar as crises pela dieta cetogênica. Quanto mais cedo a nova alimentação for adotada, maior a chance de controlar as crises epiléticas.

      Mas no que consiste essa dieta de nome estranho? A dieta cetogênica é rica em gorduras, pobre em carboidratos e com restrição de proteínas. Ela foi criada em 1921, nos Estados Unidos.

      O objetivo do tratamento é controlar e/ou reduzir a frequências das crises epilépticas. A dieta funciona pelo aumento da ingestão de alimentos fontes de gordura e redução dos alimentos fonte de carboidratos e proteínas, que devem ser pesados em uma balança própria, conforme orientação do nutricionista.

      Portanto, não adianta elaborar um cardápio rico em gorduras por conta própria. O nutricionista, por meio dos exames e da análise nutricional, se responsabiliza por desenvolver um cardápio personalizado, assim como por acompanhar a evolução clínica e dietética.

      A lógica por trás da dieta cetogênica

      A dieta cetogênica pode ser encarada com certo ceticismo por alguns, mas há uma lógica por trás dela: ela simula no organismo um estado de jejum, levando o corpo a gerar energia por meio de gordura, e não de carboidratos.

      Em uma pessoa que faz dieta cetogênica, os lipídios são metabolizados pelo fígado e sua oxidação gera uma substância química chamada cetose, que passa a ser o principal “alimento” do cérebro. Quando o cérebro se alimenta de cetose, e não de glicose, as crises de epilepsia tendem a ser menos frequentes ou até a desaparecer.

      Pesquisas atuais mostram que os pequenos que adotam a dieta cetogênica apresentam melhora cognitiva e psicomotora. Cerca de 25% das crianças ficam livres das crises convulsivas. Dentre as que não ficam, entre 50% e 60% reduzem pela metade o número de convulsões. Além disso, a dieta cetogênica reduz ou elimina a necessidade do uso de fármacos e contribui para a manutenção do peso e crescimento da criança.

      Saiba mais sobre a dieta cetogênica e a alimentação adequada em casos de  epilepsia farmacorresistente

       

      Referências:

      Associação Brasileira de Epilepsia. Dieta Cetogênica e Epilepsia Refratária.

      John Hopkins Medicine. Refractory Epilepsy.

      Web Medical Team. Help When Epilepsy Treatment Doesn’t Work

      “Dieta citogênica para epilepsia intratável em crianças e adolescentes: relatos de seis casos”, Jiyao Sheng, Shui Liu et al

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