Primeiros Meses

      Desnutrição infantil e fome oculta: prevenção e sintomas

      por Equipe Danone Baby 24 de Novembro de 2017 5 minutos

      A desnutrição infantil é mais comum entre famílias carentes, mas a fome oculta pode se manifestar em crianças que comem bastante, mas têm dieta pobre em nutrientes

      Durante os seis primeiros meses de vida, o bebê deve se alimentar exclusivamente de leite materno, de acordo com a Organização Mundial de Saúde e Sociedade Brasileira de Pediatria. Após esse período, outros alimentos são inseridos na alimentação para que cresça forte e saudável. A dieta balanceada, assim como a acompanhamento médico, são fundamentais para evitar a desnutrição infantil.

      Quando a desnutrição infantil se apresenta na infância, as consequências podem ser graves. A doença é mais comum em países subdesenvolvidos, onde os índices de pobreza são maiores. Segundo a organização Médicos Sem Fronteiras, em 2016, nove crianças morreram a cada minuto devido à falta de nutrientes essenciais à sua dieta.

      Mas, ainda que a desnutrição infantil esteja associada à fome, ela também acomete crianças aparentemente bem alimentadas. Nesse caso, o problema não é a falta de alimentos, e sim a qualidade deles.

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      O que é desnutrição infantil

      A desnutrição se manifesta quando uma pessoa não ingere nutrientes suficientes ou quando não consegue absorvê-los adequadamente. Isso pode ocorrer por doenças como diarreia, sarampo e tuberculose.

      O período mais crítico para a desnutrição é dos seis meses de idade – quando o bebê deixa de se alimentar exclusivamente de leite materno – até os dois anos. De acordo com a ONG Médicos sem Fronteiras, a alimentação correta nesse período é uma combinação do leite materno com alimentos que oferecem proteínas, gorduras, carboidratos, vitaminas e minerais - sempre com acompanhamento profissional adequado.

      Para a criança com menos de dois anos, a dieta tem um impacto profundo no seu desenvolvimento físico e mental. Bebês desnutridos têm o sistema imunológico enfraquecido e são menos resistentes às doenças comuns da infância. Resfriados e diarreias, por exemplo, podem ser fatais. Além disso, a desnutrição está associada à maior recorrência de doenças infecciosas, prejuízos no desenvolvimento psicomotor, menor aproveitamento escolar e menor capacidade produtiva na vida adulta.

      Sintomas da desnutrição infantil

      O principal sintoma da desnutrição é a dificuldade para ganhar peso. Nas consultas pediátricas, o médico pesa o bebê para monitorar seu crescimento. Quando o peso não aumenta ou regride na curva de crescimento, ele pode estar desnutrido.

      Esse sintoma pode ser acompanhado por falta de força e energia, além de dificuldade de concentração e crescimento atrofiado. Em casos graves, podem ocorrer inchaços no estômago, face e pernas, além da mudança na pigmentação da pele.

      Para diagnosticar a desnutrição, o pediatra poderá solicitar exames de sangue, urina e fezes.

      Fome oculta

      Ainda que a desnutrição infantil esteja associada à fome, ela também pode ocorrer em crianças de melhores condições socioeconômicas e que aparentemente são bem alimentadas. Nesse caso, o problema não é a falta de alimentos, e sim a qualidade deles.

      A fome oculta ocorre quando os alimentos presentes na dieta não são nutritivos. A comida pode ser deficiente em micronutrientes como, por exemplo, a vitamina A e ferro, necessários para o crescimento e desenvolvimento do bebê.

      Diagnosticar a fome oculta pode ser mais difícil, pois o bebê não manifesta os sinais clássicos da desnutrição, como perda de peso e falta de concentração.  A condição pode, inclusive, se manifestar em crianças obesas quando tendem a comer mais comidas gordurosas e desbalanceadas em detrimento de alimentos saudáveis.  A alimentação inadequada é uma das primeiras pistas para investigar a saúde da criança. Quando a doença está mais desenvolvida, sintomas podem aparecer, como cansaço em excesso e desinteresse. Para fazer o diagnóstico, o médico poderá pedir exames bioquímicos para medir níveis de nutrientes no organismo, como ferro e vitamina A.

      A fome oculta afeta a saúde e vitalidade e pode ter consequências sérias como carência de iodo, vitamina D, vitamina A e anemia por deficiência de ferro. A carência de ferro pode comprometer o desenvolvimento intelectual e psicomotor da criança. Já a falta de vitamina D pode afetar a visão, podendo até causar cegueira total, e debilita o sistema imunológico. O iodo pode evitar vários problemas de saúde, como retardo do crescimento e comprometimento do desenvolvimento cerebral.

      Como prevenir e tratar a desnutrição infantil

      O primeiro passo é esclarecer a família sobre as causas e consequências da desnutrição. Desde a gestação, os pais devem ser orientados sobre o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade e complementar até os dois anos, assim como a dieta ideal na hora de introduzir alimentos sólidos na alimentação.

      Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o vínculo entre bebê e família também é importante. Em caso de desnutrição, o laço deve ser reavaliado para entender se há uma relação afetiva e saudável. A participação do responsável na vida da criança é fundamental para garantir que se alimente adequadamente e não tenha problemas de saúde de ordem física ou emocional.

      O bebê desnutrido deve ser acompanhado pelo médico pediátrico mensalmente. Ele poderá receitar suplementos nutricionais, como ferro, ácido fólico e vitamina A, conforme o caso, ou encaminhar para um nutricionista especializado, que formulará a melhor dieta para o pequeno.

       

       

      REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

      Bibliografia: Unicef (“Micronutrients and Hidden Hunger” e “Ameaça à Saúde”)
      International Life Sciences Institute (“Fome Oculta”)
      Médicos Sem Fronteiras (“Desnutrição”)
      Ministério da Saúde (“Desnutrição” e “Alimentação e nutrição no Brasil”)
      Sociedade Brasileira de Pediatria (“Manual Prático de Atendimento em Consultório e Ambulatório de Pediatria”)

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